
Quando Paris inaugurou seu primeiro sistema de bicicletas públicas em 2007, já não era a primeira a cidade a fazer isso, Alemanha, Holanda e Dinamarca já tinham seus sistemas de locação de bicicletas há mais de 10 anos, mas em Paris com um número razoável de ciclistas e uma certa infraestrutura, inovou no desenvolvimento de um modelo de bicicleta ideal para esta atividade. Em 2008 estive em Paris para “testar” o modelo, na época achei difícil entender o sistema de locação, mas fiquei impressionado com a qualidade das bicicletas que acabaram virando modelo para outros sistemas no mundo todo, inclusive de Londres, Melbourne e Nova York. Retornei agora a Paris depois de 5 anos de implantação do Velib, há muito mais pessoas nas ruas utilizando o sistema de bicicletas e melhorou também a infraestrutura envolvendo ciclorrotas, ciclofaixas e ciclovias, inclusive as pistas de compartilhamento de Bicicletas com ônibus, que na época não existiam e que para mim era uma temeridade e que acabou se revelando uma convivência muito tranqüila. Senti falta de estacionamentos de bicicletas, encontrei poucas pelo caminho.
Paris, cidade das Bicicletas
Você consegue acessar toda a Ilê de France por bicicletas, conhecer a maioria dos centros turísticos em 2 ou 3 horas. Ainda falta a prioridade para Bicicletas como em Amsterdam, mas eu senti que com a Bicicleta é possível trafegar em todos os lugares, todas as vias, inclusive algumas na contra-mão dos automóveis (legalmente) de forma bastante segura.
Sinalização para carros
Minha impressão na Europa é que as cidades definitivamente adotaram a Bicicleta como meio de transporte e que em alguns anos, os carros é que necessitarão ter vias sinalizadas com símbolo do carro no chão (como são as ciclorrotas de hoje). Ocorre que as bicicletas tomam menos espaços das cidades, não poluem e são democráticas, qualquer pessoa pode utilizá-las bastando pouca habilidade para isso.
Acidentes
O número de acidentes é compatível com o aumento da demanda, no entanto, o número de mortes são baixíssimos comparados com outros sistemas de transportes tais como automóveis, motos e ônibus (incluindo os atropelamentos).
Brasil
No Brasil a implantação de sistemas de bicicletas públicas estão sendo realizados sem planejamento, sem estudos de demanda, sem adequação da infraestrutura, sem transferência e integração modal.
Por Lincoln Paiva às 19h34

Enquanto que São Paulo adota a lei de restrição de caminhões em áreas do centro expandido da cidade. Cidades européias tem feito exatamente ao contrario, eles alegam que a restrição de tráfego de caminhões prejudica o abastecimento e o desenvolvimento da cidade e aumentando o custo do frete e consequentemente dos bens de consumo. No lugar de restringir eles priorizaram o tráfego destes veículos, para que eles não fiquem parados em congestionamentos. Um sistema foi desenvolvido com ajuda da tecnologia de geo-localização, através de um software instalado no GPS, o sistema identifica o caminhão e altera automaticamente a programação semafórica priorizando a passagem do caminhão o mais rápido possível pela cidade, isso faz com que o caminhão economize Diesel e evite a poluição na cidade. Obviamente que um sistema deste, precisa ser instalado com uma série de medidas para desestimular o uso do automóvel particular, no Brasil a restrição do caminhão visa estimular o uso do veiculo particular, desta forma nem o Santo ajuda.
Eu visitei a empresa que desenvolveu a tecnologia na Holanda, o tempo de resposta é muito rápido e eficiente, acompanhe as imagens:

O sistema detecta o veículo e verifica se ele faz parte do sistema de prioridade de trafego

Após identificação o sistema envia uma mensagem para o semafaro para priorizar o veículo... se não tiver congestionamento o aparelho no caminhão mostra qual a velociade que o caminhão necessita trafegar... Se tiver congestionamento o sistema pode sugerir uma outra rota e reprogramar os semafaros para que os caminhões não fiquem parados no trânsito.
Por Lincoln Paiva às 13h56

A Doppelmayr uma empresa austríaca especializada em Mobilidade por Cabo, vem apostando num novo modal: Teleféricos Urbanos. A princípio pode parecer estranho uma cidade apostar em teleféricos como transporte público, mas eles já estão operando em algumas cidades européias, não apenas para atender ao turismo, mas como alimentadores de sistemas de alta capacidade, sobretudo em distâncias curtas. A empresa vem testando unidades capazes de transportar 35 passageiros sentados de uma vez só. A idéia é simples e genial, com capacidade para transportar cerca de 10.000 passageiros hora/sentido são excelentes para distâncias curtas e como alimentadores de outros sistemas de alta capacidade tais como Metrô, BRT, VLT e Trens suburbanos. Um aliado importante é o preço comparado com outras tecnologias e a simplicidade das estações. Medellín na Colômbia foi pioneira em utilizar os Teleféricos como meio de transporte para alimentar o metrô, trazendo as pessoas dos morros até as estações, o Rio de Janeiro construiu o teleférico do morro do alemão mas ainda sem estar conectado com outros sistemas de transportes. A Doppelmayr que ir além, eles querem implantar os teleféricos nos centros urbanos como alimentadores de outros sistemas e a cidade de São Paulo seria um excelente modelo devido a quantidade de aclives e a inexistência de meios de transportes em distâncias curtas. A empresa assegura que o custo de operação é inferior a 10% do investimento de implantação.


O sistema foi pensado na acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida, carrinhos de bebês e Bicicletas


O sistema de embarque e desembarque é realizado em nível e as pessoas tem tempo necessário para fazer o embarque de forma rápida e segura


Por Lincoln Paiva às 19h31
A Revista Veja publicou uma nota ( Coluna Radar) na edição de 11 de julho sobre o adiamento da Petrobras na construção das refinarias no Nordeste, ao mesmo tempo que o governo deu sinal verde para que a Petrobrás buscar parcerias estrangeiras. Problema número 1, convencer as refinarias internacionais a venderem gasolina a preços menores do que praticado no mercado Internacional ( Petrobras vem comprando combustível mais caro e vendendo mais barato no mercado interno), mas porque fariam isso se podem continuar vendendo a preço do mercado internacional para o Brasil? Impossível não é mas vai ter que pagar um preço alto por isso... Com o anúncio do aumento do Diesel , ações da Petrobrás subiram, presidente da Petrobras respira aliviada, mas sabe que isso vai durar pouco, ainda mais com a previsão de PIB menor do que ano passado. Ou seja, a saída para Petrobrás seria investir numa combinação de combústiveis alternativos e novas tecnologias, substituindo 25% da demanda de combustível fóssil... Mas será que eles entendem isso? A Petrobrás ainda acha que estão no mercado de Petroleo, mas deveriam pensar como uma empresa de energia.
Por Lincoln Paiva às 21h04

Delegação foi destaque num dos maiores jornais da Holanda
Retornei a pouco do Congresso Mundial de Cidades em Stuttgart na Alemanha, onde o Secretário de Transportes da cidade de São Paulo foi elogiado pelo Prefeito da cidade de Stuttgart pela campanha de respeito aos pedestres realizado na cidade de São Paulo, que reduziu mais de 30% o número de atropelamentos no mesmo período dos anos anteriores. O tema deste ano foi justamente o esforço das cidades em relação a segurança viária. As cidades precisam pensar na segurança de todo o sistema modal, Alemanha e Holanda tem realizado esforços em programas educacionais sobre segurança no trânsito nas escolas e ao mesmo tempo desenvolvendo infraestrutura para garantir segurança das pessoas.
Além da participação no Congresso de Cidades, realizamos visitas técnicas na cidade de Koblenz ( 100km de Frankfurt), para conhecer o projeto de Teleférico Urbano, que está sendo testado na cidade e tem capacidade para levar 35 passageiros por “gôndola” e até 7.000 passageiros/hora, ideal para distâncias curtas. Também visitamos as cidades de Amsterdam, Utrecht e Helmond, onde nos encontramos com técnicos, autoridades e Prefeitos das cidades, com o objetivo de conhecer as melhores práticas de Mobilidade Urbana. Também estive em Paris para testar o Autolib ( sistema de carsharing elétrico).
Por Lincoln Paiva às 09h19
é ambientalista
e consultor
de Mobilidade Sustentável, membro da SLoCat (Sustainable Low Carbon Transport), coordenada pelo Departamento desenvolvimento socioeconômico da ONU. É também membro da Cities-for-Mobility, rede mundial de mobilidade urbana coordenada pela Cidade de Stuttgart, e do GT de Meio Ambiente e Mobilidade do Movimento Nossa São Paulo. É sócio-diretor do escritório de Consultoria de Mobilidade Sustentável Green Mobility e idealizador do Projeto MelhorAr de Mobilidade Sustentável.
Mobilidade sustentável é a capacidade que temos de nos deslocar na cidade com o menor impacto possível sobre o meio ambiente urbano tanto hoje quanto para as gerações futuras. Este blog debate a forma como nos deslocamos na cidade e seus impactos. Também aborda as políticas públicas e de acessibilidade, as desvantagens de termos o carro como principal meio de transporte e o dilema da mobilidade: quanto melhor a situação da economia, maior a demanda por trasporte.