Os governos estaduais abriram mão de recusos que poderiam superar R$ 9 bilhões em 2012, dinheiro que poderia ser utilizado para infraestrutura e transportes públicos. Estes recursos desapareceram quando o Governo Federal resolveu "zerar" o CIDE-Combustíveis ( Contribuição de intervenção do domínio econômico) que as distribuidoras e importadoras de combustíveis são obrigadas a recolherem para o governo e distribuir aos Estados. Esse recurso não alivia a pressão sobre os aumentos de combustíveis, mas são fundamentais para as cidades investirem em transportes públicos. No mesmo dia que o Governo "zerou" o CIDE, a Petrobras anunciou que precisaria aumentar em mais 15% o preço do combustível para manter-se capitalizada, o efeito derrubou as ações da Petrobras em 9%. A manobra desastrada do governo federal não adiantou nada e vai causar um impacto enorme nas cidades... No lugar de exigir a volta do recurso do CIDE-Combustíveis, o governador de São Paulo assina empréstimo de 1,4 bilhão no BNDES, dá para entender?
Por Lincoln Paiva às 12h05

No último dia da Rio +20 o governo anuncia o fim da CIDE-Combustíveis, o que isso significa na prática? Uma medida totalmente contrária ao que foi discutido pelos países durante a Rio +20 em relação diminuição dos subsídios pelos governos em energia fóssil. Acabar com a CIDE-Combustíveis é subsidiar combustíveis fósseis na ordem de 10 bilhões por ano. No próximo ano, não teremos CIDE-Combustíveis, como o governo vai deixar de repassar o preço da gasolina? Como as cidades irão se virar sem recursos para conter a demanda de transportes nas cidades?
Os motoristas não tem nada que agradecer ao Governo Federal pelo o aumento da gasolina que não chegará aos postos de combustíveis e os Governadores e prefeitos deixarão de receber importantes recursos para serem investidos em infraestrutura para transportes nas cidades. Se você usa carro para se deslocar na cidade, meus parabéns! sua gasolina não vai ficar mais cara (por enquanto) , a inflacão não vai subir agora (durante as eleições) e os indicadores econômicos vão parecer sólidos... Agora se você depende de transportes públicos, meus pesâmes você vai continuar dependendo deste sistema que você já utiliza hoje , mas com um agravante, os recursos do imposto sobre a distribuição de combustíveis que foi criado para melhorar o sistema de transportes da sua cidade, não existe mais... Ainda me perguntam porque não fui a Rio+20?
Por Lincoln Paiva às 17h55

Eu tirei essa foto começo do mês de junho/2012 , do observatorio (planetário de Los Angeles)
Semana passada estive em Los Angeles em função de uma pesquisa sobre Mobilidade Urbana que estamos organizando, eu não gosto de comparar cidades porque todas elas possuem seus próprios desafios, mas para quem chegou de São Paulo como eu, não deveria ter ficado tão surpreendido com o nível de problemas que a cidade de Los Angeles enfrenta, comparado com os problemas de Mobilidade Urbana que nós temos.
Em primeiro lugar tive que alugar um carro para poder cumprir dezenas de compromissos que eu tinha e como você sabe, Los Angeles foi construída para o carro, até para acessar um bairro vizinho, o cidadão é forçado a recorrer a uma estrada Interestadual ou utilizar as infernais Freeways. Em São Paulo eu não uso o carro para absolutamente nada, por isso mesmo, estranhei o volume de congestionamento na cidade de Los Angeles, independente de horários de Pico, vejam só a foto que eu tirei do retrovisor do carro num início de tarde

Los Angeles desenvolveu em 1973 sua primeira “Carpool Lane” que são as pistas para veículos com mais de 1 ocupante, conceito que os americanos chamam de HOV ( High occupancy Vehicle) cujo objetivo é incentivar maior taxa de ocupação de veículos, na prática o sistema não tem funcionado muito bem, vejamos a foto abaixo:

Note que na minha frente a “Carpool Lane” esta vazia, mesmo o motorista tendo a possibilidade de chegar mais rápido no destino, o americano prefere ficar no congestionamento do que ter que dar carona para alguém. Repare que na foto, ao meu lado tem um carro modelo Pryos Hibrido Toyota... De certo, a pessoa deve imaginar que ser sustentável é apenas utilizar combustível limpo, carro elétrico, então ele imagina que já está fazendo a parte dele...
Meus caros, vejam só a responsabilidade do governo e a importância de proporcionar uma mudança cultural, não basta apenas segmentar uma pista e achar que a partir de amanhã as pessoas vão dar caronas um para o outro, ingenuidade, é preciso desenvolver a cultura de responsabilidade sócio-ambiental, agora como fazer isso numa sociedade que valoriza a conquista individual, o carro como status ? É preciso desenvolver sistemas de transportes alternativos para distâncias curtas...a tranferência modal não se dá apenas piorando o tráfego de veículos... Motoristas de automóveis são muitos resistentes e não trocará o carro por ônibus... Infelizmente esta é a realidade, é preciso atuar com responsabilidade e inteligência
Já em Las Vegas, enfim... uma cidade voltada para Jogos, turismo, carros, limousines etc... possui um sistema de BRT que poderia fazer inveja em muitas cidades, vejam só as imagens abaixo:



Por Lincoln Paiva às 00h25
No começo do mês de junho viajei para Los Angeles para terminar uma pesquisa que estamos realizando sobre as medidas que as grandes cidades estão adotando em relação a crescente dependência ao Transporte Individual. Neste Período o Jornal Folha de São Paulo publicou dois artigos antagônicos na sua coluna “Tendências e Debates” do dia 2 de junho, cujo título foi “São Paulo deve adotar o pedágio Urbano?”.
O Secretário de Transportes de São Paulo, Sr. Marcelo Branco apresentou motivos econômicos, sociais e ambientais para adoção do pedágio urbano na cidade e que indiretamente todos já pagam decorrente do número de automóveis na cidade gerando um passivo social enorme, através da poluição, transporte público ineficiente, saúde etc.
Já o Professor Jaime Waisman , dr em engenharia de transportes da USP defendeu que o Pedágio Urbano seria apenas uma “Solução Mágica” , preguiçosa e imediatista, ainda segundo o professor “ que pune o cidadão e alivia a pressão sobre a administração pública”. No entanto ele se contradiz quando condiciona a aplicação do Pedágio Urbano com a necessidade de transportes públicos de qualidade como em outras cidades, tais como Londres como exemplifica.
No entanto é bom deixar claro que a aplicação do “Pedágio Urbano” nome equivocado dado a Tarifação do Congestionamento, como é conhecido no exterior, não é a única solução para os congestionamentos, ela é parte de um conceito chamado TDM ( Traffic Demand Management) ou simplesmente Gerenciamento da Mobilidade , neste conceito um conjunto de medidas ( entre elas a tarifação do Congestionamento) são aplicados na cidade para redução dos impactos dos congestionamentos.
O fenômeno das viagens em distancias curtas
O primeiro teórico a tratar da questão da localização espacial das atividades econômicas foi J.H. Von Thunen, em 1826, quando estudou as atividades agrícolas em torno de uma cidade, o autor desenvolveu a teoria conhecida por “anéis de Thunen”, que são as circunferências em torno da cidade, cada uma delas delimitando a área de cultivo de um produto.Com isso, os preços dos produtos era influenciados de acordo com as suas distâncias em relação ao centro cidade. Como parte deste cenário surge o “custo de transporte”. Assim, os produtos com maior custo para o transporte deveriam ser produzidos mais próximos dos consumidores. Com a crescente urbanização o custo de morar próximo das atividades econômicas da cidade criaram barreiras para população mais pobre, que paga mais por um serviço de transportes cada vez mais ruim.
Especialistas sobretudo oriundos da Politécnica da USP defendem que para melhorar o sistema de transportes da cidade, o governo deveria investir em sistemas de transportes de alta-capacidade sobre trilhos, mas essa afirmação é apenas parcialmente correta. Teoricamente atenderia o Modelo concêntrico proposto por Thunen em 1826, levar o transporte público de qualidade para as pessoas mais distantes ( teoricamente diminuindo as distâncias que separam estas pessoas da atividade econômica) mas na prática continuaria estrangulando a cidade em distancias curtas. A maioria das pessoas, incluindo os especialistas, consultores de Mobilidade Urbana e universidades perderem a noção de tempo e espaço em função da dependência do automóvel como meio de transporte, utilizado por todos nós, inclusive por eles. Temos a falsa impressão de que “se tivéssemos transportes públicos de qualidade deixaríamos o carro em casa”.
Ocorre que nas cidades brasileiras, pegaremos São Paulo como exemplo, o gargalo do transporte público está na área do centro expandido, o que isso quer dizer? Que a expansão do metrô de forma concêntrica não atenderão as necessidades de quem precisa de transportes públicos para distâncias curtas ou apenas para transferência modal que criam os gargalos , afeta o trânsito e gera os congestionamentos.
De acordo com o Secretário de Transportes de São Paulo, 45% dos deslocamentos na cidade são realizados por transportes individuais, se levarmos em consideração que mais de 80% destes deslocamentos ocorrem em distancias curtas de até 6km, ao passo que quem utiliza transportes coletivos fazem deslocamentos médios e longos ( 55% da população) ou seja, com mais de 6Km de distância, o que isso demonstra? Que em São Paulo não temos opções para distâncias curtas e que a ampliação do Metrô não vai fazer com que as pessoas deixem de utilizar o carro pois o sistema de Metrô, ônibus etc em distância curta já estão saturados e não atenderão estas pessoas , é preciso trabalhar com opções alternativas para esse contingente para melhorar a vida de quem precisa de transportes públicos para distâncias superiores a 6km e redução de congestionamentos em distâncias curtas.
É preciso rever o modelo de desenvolvimento urbano da cidade, não vai adiantar nada fazer com que as pessoas busquem trabalho mais longe de suas casas.
Pedágio Urbano não é a única solução e tão pouco deve ser adotado sem a implantação do gerenciamento da demanda de mobilidade da cidade, é preciso ter opção de transportes alternativos tais como infraestrutura para Bicicletas, car-carsharing, vias 2+, Monotrilho, bondes, calçadas, teleférico urbano.... coisas que ainda não temos para fazer com que as pessoas que estão gerando congestionamentos na cidade (45% dos deslocamentos) deixem o carro em casa.
Por Lincoln Paiva às 14h41
No dia 08 de junho, uma comitiva liderada pelo Secretario Geral da ONU andaram de bicicletas para promover o transporte alternativo de baixo Carbono dando início a Rio +20. A Iniciativa foi cooredenada por várias organizações e pela Prefeitura de Nova York.
O Secretário geral da ONU agradeceu a Comissária de Transportes de Nova York juntamente com o prefeito Michael Bloomberg por liderarem essa transformação na cidade e disse "Parabéns por transformarem uma cidade que nunca dorme, numa cidade que nunca deixa de andar de bicicletas". O Secretário está convencido de que a Bicicicleta é o Veículo do futuro, mas que ela ainda é só uma pequena parte de um esforço gigante para reduzir as emissões de poluentes do setor de transportes.


Fotos: ONU
Por Lincoln Paiva às 09h55
é ambientalista
e consultor
de Mobilidade Sustentável, membro da SLoCat (Sustainable Low Carbon Transport), coordenada pelo Departamento desenvolvimento socioeconômico da ONU. É também membro da Cities-for-Mobility, rede mundial de mobilidade urbana coordenada pela Cidade de Stuttgart, e do GT de Meio Ambiente e Mobilidade do Movimento Nossa São Paulo. É sócio-diretor do escritório de Consultoria de Mobilidade Sustentável Green Mobility e idealizador do Projeto MelhorAr de Mobilidade Sustentável.
Mobilidade sustentável é a capacidade que temos de nos deslocar na cidade com o menor impacto possível sobre o meio ambiente urbano tanto hoje quanto para as gerações futuras. Este blog debate a forma como nos deslocamos na cidade e seus impactos. Também aborda as políticas públicas e de acessibilidade, as desvantagens de termos o carro como principal meio de transporte e o dilema da mobilidade: quanto melhor a situação da economia, maior a demanda por trasporte.